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BlackRock, Nvidia e Redata: Por Que o Brasil Virou o Principal Destino de Data Centers da América Latina e o Que Isso Significa Para a Economia de Inovação

BlackRock, Nvidia e Redata: Por Que o Brasil Virou o Principal Destino de Data Centers da América Latina e o Que Isso Significa Para a Economia de Inovação

Em outubro de 2026, o ecossistema de infraestrutura digital brasileiro está passando por uma transformação que poucos países conseguiram em tão pouco tempo. Em menos de doze meses, o setor de data centers no Brasil recebeu investimentos que mudam sua escala de forma irreversível.

A história começa com a maior transação já realizada no setor global de data centers. A BlackRock, via sua gestora de infraestrutura Global Infrastructure Partners, liderou um consórcio com Nvidia, Microsoft e MGX, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, para adquirir a Aligned Data Centers por US$ 40 bilhões. A Aligned é proprietária da Odata, empresa que opera 12 data centers no Brasil e que foi comprada do Pátria Investimentos em 2023.

Com a transação, os principais ativos de data center do Brasil passaram para o portfólio de um grupo de investidores cujo capital somado supera o PIB de muitos países. E o CEO da Odata foi direto sobre o posicionamento: “Estamos superinvestidos no Brasil.”


O Redata e o que ele muda

Poucos dias antes do Neofeed publicar a história da Odata, em 15 de setembro de 2026, o governo federal sancionou o Redata: o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Centers.

O Redata oferece incentivos fiscais para a importação de equipamentos de data centers e estabelece contrapartidas vinculadas a pesquisa, desenvolvimento e oferta de capacidade de processamento no mercado nacional. É a peça regulatória que o setor esperava há mais de dois anos para destravar investimentos que estavam represados pela desvantagem tributária do Brasil em relação a concorrentes como os Estados Unidos.

Sem o Redata, segundo Luciano Fialho, vice-presidente da Scala Data Centers, o custo de um data center no Brasil era aproximadamente 35% maior do que nos EUA em dólares. Com o regime aprovado, os planos iniciais de investimento que o Redata pode destravar chegam a R$ 20 bilhões, com potencial de crescer para R$ 100 bilhões por ano em investimentos anuais se o programa ganhar tração.


Os números que mostram a escala do movimento

A PwC projeta US$ 11,4 bilhões em investimentos em data centers no Brasil em 2026, crescimento de 49,3% em relação a 2025. Esse número coloca o Brasil na quinta posição global em destino de investimentos em data centers, atrás de Estados Unidos (US$ 448,4 bilhões), China (US$ 48,9 bilhões), Índia (US$ 28,2 bilhões) e Alemanha (US$ 16,7 bilhões).

A posição é ainda mais destacada na América Latina: o Brasil concentra 48% de toda a capacidade instalada de data centers da região e 71% da capacidade que está sendo construída. É uma liderança regional que os números dos próximos dois anos devem ampliar.

O contexto global que explica por que esse capital está vindo: Amazon, Microsoft, Google, Meta e Oracle planejam investimentos conjuntos de aproximadamente US$ 725 bilhões em 2026, alta de 77% em relação a 2025, com cerca de 75% direcionados a infraestrutura de IA. A demanda por capacidade de processamento para inteligência artificial está criando uma corrida por data centers que o mundo todo está tentando capturar, e o Brasil está na posição certa para ser um dos principais beneficiários.


Por que o Brasil tem vantagem estrutural nessa corrida

A lógica que explica a preferência do Brasil para investidores globais de data centers é a mesma que discutimos no blog sobre energia e IA: a combinação de matriz elétrica 87% renovável com disponibilidade e custo competitivo de energia.

Data centers de IA são consumidores vorazes de eletricidade. A densidade de energia por rack em servidores de última geração chegou a ser 8 a 12 vezes maior do que em data centers convencionais. Garantir que essa energia venha de fonte renovável não é apenas escolha ambiental em 2026: é requisito de investidores e clientes corporativos que têm metas de descarbonização.

O Brasil entrega exatamente isso. A capacidade instalada de 1 gigawatt em data centers já existente hoje pode chegar a 3 GW até 2032 com o Redata desbloqueando os investimentos planejados, e potencialmente a 26 GW até 2050 considerando toda a capacidade de geração e transmissão renovável que o país pode construir.


A oportunidade para além dos data centers: a cadeia de inovação

Investimentos em infraestrutura de data centers não se traduzem apenas em construção civil e importação de equipamentos. Eles criam uma cadeia de demanda por serviços técnicos, softwares especializados e soluções de monitoramento e eficiência que é uma oportunidade concreta para startups e empresas de tecnologia brasileiras.

Eficiência energética: sistemas que monitoram e otimizam o consumo de energia em tempo real usando IoT e IA. Resfriamento inteligente: soluções que reduzem o consumo de água e energia nos sistemas de resfriamento. Segurança física e digital: monitoramento, cibersegurança e gestão de acesso. Conectividade e transmissão: fibra, transmissão de dados e redes de baixa latência que conectam os data centers ao mercado.

Cada uma dessas frentes é um problema com mercado real e crescente que P&D desenvolvido com o suporte de ICTs como o Ideas Hub pode resolver com vantagem competitiva estrutural.

O Maior Hub de tecnologia do Sul do Brasil, o Ideas Hub em Campo Mourão, como venture builder e ICT credenciada pelo MCTI, acompanha esses movimentos de infraestrutura porque eles definem as oportunidades de P&D e inovação mais relevantes para o ecossistema nos próximos anos. Projetos desenvolvidos com acesso aos incentivos da Lei do Bem constroem os ativos de inovação que esse mercado vai demandar.

O Diagnóstico de Maturidade em Inovação do Ideas Hub é o ponto de partida para entender onde sua empresa está e quais oportunidades dessa nova infraestrutura digital fazem sentido para o seu momento.