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73% das Grandes Empresas Brasileiras Já Têm Inovação Aberta com Orçamento Fixo. O Que Esse Número Diz Sobre o Futuro da Inovação Corporativa

73% das Grandes Empresas Brasileiras Já Têm Inovação Aberta com Orçamento Fixo. O Que Esse Número Diz Sobre o Futuro da Inovação Corporativa

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Por muito tempo, inovação aberta foi tratada como experimento. Uma iniciativa interessante para colocar no relatório anual, mas sem orçamento fixo, sem estrutura real e sem compromisso de longo prazo.

Esse tempo acabou.

Um estudo realizado pelo Torq, hub de inovação da Evertec Brasil, em parceria com o Sling Hub, mapeou 87 empresas com programas ativos de inovação aberta no Brasil e ouviu 33 delas em profundidade. O resultado é claro: 73% já possuem iniciativas consolidadas com orçamento recorrente. Um terço mantém programas contínuos de colaboração com startups. E 76% planejam manter ou ampliar os investimentos nos próximos anos.

Inovação aberta deixou de ser projeto piloto. Virou infraestrutura estratégica.

 

O que é inovação aberta?

Inovação aberta, ou open innovation, é um modelo de inovação que parte de um princípio simples: as melhores ideias nem sempre vêm de dentro da empresa. Elas podem vir de startups, universidades, fornecedores, centros de pesquisa, clientes ou até de setores completamente diferentes.

O conceito foi formalizado em 2003 pelo professor Henry Chesbrough, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Em seu livro fundador, Chesbrough argumentou que o modelo tradicional de inovação fechada, onde tudo é desenvolvido internamente e protegido como segredo, estava se tornando insustentável em um mundo onde o conhecimento circula cada vez mais rápido.

A inovação aberta propõe o oposto: usar fluxos de conhecimento de fora para dentro, e de dentro para fora, de forma deliberada e estruturada, para acelerar a inovação e criar valor que nenhuma das partes conseguiria sozinha.

Na prática, isso significa que uma grande empresa de energia pode fazer uma prova de conceito com uma startup de eficiência energética. Uma indústria alimentícia pode financiar pesquisas em uma universidade. Um banco pode criar um programa de aceleração para fintechs. Todas essas são formas de inovação aberta.

 

Por que o modelo cresceu tanto no Brasil?

O crescimento não foi linear. Por muito tempo, a inovação aberta esbarrou em barreiras culturais dentro das empresas brasileiras: medo de perder controle sobre a propriedade intelectual, desconfiança em relação a parceiros externos e a crença de que o modelo de inovação fechada, com P&D interno, ainda era suficiente.

O que mudou foi a combinação de três fatores simultâneos.

A velocidade da mudança tecnológica superou a capacidade interna de inovar. Com a chegada da IA generativa, da automação inteligente e de novas plataformas digitais, ficou evidente que nenhuma empresa consegue acompanhar todas as frentes de inovação ao mesmo tempo só com recursos internos. A parceria com quem já está na fronteira dessas tecnologias se tornou uma necessidade operacional, não apenas uma escolha estratégica.

O ecossistema de startups brasileiro amadureceu. O Brasil conta hoje com mais de 20 mil startups ativas, segundo a ABStartups. Esse ecossistema não é mais formado apenas por empresas em estágio inicial sem tração. Há startups com produto validado, carteira de clientes e capacidade real de entrega. Isso tornou a parceria corporativa muito mais viável e menos arriscada.

Os resultados começaram a aparecer. Segundo o mesmo estudo do Torq e Sling Hub, 91% das iniciativas de inovação aberta no Brasil usam provas de conceito como formato de colaboração, 85% contratam soluções prontas de startups e 82% estabelecem parcerias comerciais formais. Quando os resultados são visíveis, o modelo deixa de precisar de justificativa interna.

 

Quem está fazendo isso no Brasil e como?

O estudo mapeou iniciativas em empresas como Embraer, EDP, Vale, Petrobras, Nvidia, IBM e Grupo Petrópolis. Os setores mais ativos são finanças (13% das iniciativas), indústria e energia (11% cada), educação e saúde (8% cada).

Os formatos mais usados vão além das provas de conceito tradicionais. Segundo o estudo do STATE sobre inovação aberta no Brasil, as empresas estão evoluindo para modelos mais sofisticados:

Corporate Venture Capital (CVC). Investimento direto de grandes empresas em startups com potencial estratégico. O objetivo não é apenas retorno financeiro, mas acesso antecipado a tecnologias e modelos de negócio emergentes.

Venture Building Corporativo. A própria empresa cria startups internas alinhadas aos seus objetivos estratégicos. É o modelo mais profundo de inovação aberta, onde a corporação atua como fundadora de novos negócios ao invés de apenas parceira.

Hubs e ecossistemas de inovação. Ambientes físicos ou digitais onde empresas, startups, universidades e aceleradoras coexistem e colaboram de forma estruturada. Os hubs de inovação respondem por 64% das parcerias em iniciativas de open innovation no Brasil, segundo dados da Softex.

Hackathons e programas de aceleração. Formatos mais ágeis para explorar soluções para problemas específicos da empresa, com participação aberta de startups e desenvolvedores externos.

 

O que isso significa para empresas que ainda não estão nesse movimento?

Para as grandes empresas que ainda não estruturaram programas de inovação aberta, o dado de 73% com orçamento recorrente é um sinal de alerta. A inovação aberta está deixando de ser diferencial competitivo para se tornar requisito de mercado.

Para as startups, o cenário é de oportunidade real. Grandes corporações estão mais abertas do que nunca a pilotar soluções externas, e o ciclo de decisão para provas de conceito encurtou significativamente nos últimos dois anos.

Para as pequenas e médias empresas, a lógica é diferente, mas igualmente relevante. Elas raramente têm escala para criar programas formais de open innovation. Mas podem acessar os benefícios do modelo ao se conectarem a hubs e ecossistemas de inovação estruturados, onde a infraestrutura de colaboração já existe e o acesso a parcerias, tecnologias e capital é facilitado.

É exatamente esse papel que um hub de inovação como o Ideas Hub desempenha: criar as condições de ecossistema que permitem empresas de diferentes portes inovar de forma estruturada, sem precisar construir toda a infraestrutura do zero.

 

O que vem a seguir: IA e dados como vetores centrais

O estudo do Torq e Sling Hub também revela para onde a inovação aberta está caminhando. Para os próximos dois anos, 91% das empresas apontam IA e dados como os principais vetores de suas iniciativas de inovação. Eficiência operacional e automação aparecem em segundo lugar, com 79%.

Isso significa que o próximo ciclo de parceria entre corporações e startups vai girar em torno de agentes de IA, automação inteligente de processos e infraestrutura de dados. Startups que resolvem esses problemas específicos estão na posição mais favorável para fechar parcerias corporativas nos próximos 24 meses.

E empresas que ainda não estruturaram sua estratégia de inovação aberta podem estar chegando tarde para um movimento que já está em plena maturidade.

 

O primeiro passo para entrar nesse ecossistema

Inovação aberta não começa com um programa formal ou um orçamento milionário. Começa com clareza sobre em que estágio de maturidade a empresa está e quais são as lacunas que uma parceria externa poderia preencher.

Antes de buscar startups parceiras, antes de criar um programa de aceleração, antes de qualquer movimento externo, é preciso entender o que a empresa tem internamente e o que ela realmente precisa de fora.

O Diagnóstico de Maturidade em Inovação do Ideas Hub foi desenvolvido para mapear exatamente esse ponto de partida. Em poucos minutos, você entende em que estágio a sua organização está e quais são as próximas ações concretas para avançar no ecossistema de inovação.