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São Paulo na 49ª Posição do Ranking Global de Inovação: O Que o Índice da OMPI Revela Sobre o Brasil Inovador e o Papel Crescente do Interior

São Paulo na 49ª Posição do Ranking Global de Inovação: O Que o Índice da OMPI Revela Sobre o Brasil Inovador e o Papel Crescente do Interior

Em 29 de setembro de 2026, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual publicou a 19ª edição do Global Innovation Index, o índice que avalia o desempenho de 139 economias em inovação a partir de 79 indicadores organizados em sete pilares. O tema desta edição: “Powering Entrepreneurs at the Frontier of Science”.

O resultado do Brasil merece uma leitura cuidadosa que vai além do número principal.

O país ficou em 53º lugar, uma posição abaixo do 52º registrado em 2025 e a terceira queda consecutiva desde o pico de 49º em 2023. Esse dado, isolado, poderia parecer preocupante. Mas o contexto muda o diagnóstico.

Em 2020, o Brasil ocupava o 62º lugar. Em 2026, ocupa o 53º. Foram dez posições conquistadas em seis anos, um avanço consistente que coloca o país no grupo de economias que aprendem a converter conhecimento em resultado econômico. Pelo sexto ano consecutivo, o Brasil é classificado pela OMPI como “overperformer”: uma economia cujo desempenho em inovação supera o que seria esperado para seu nível de desenvolvimento.

E São Paulo, especificamente, ficou em 49º lugar entre os 100 maiores polos de inovação do mundo, na mesma posição de 2025, liderando a América Latina como o único cluster brasileiro na lista.


O que o GII mede e por que é relevante

O Global Innovation Index avalia tanto os insumos quanto os resultados da inovação em cada economia. Os insumos incluem qualidade das instituições, capital humano, infraestrutura, sofisticação de mercado e sofisticação empresarial. Os resultados incluem produção de conhecimento e tecnologia e produção criativa.

A versão de clusters vai além dos países e mapeia concentrações geográficas de atividade inovadora: onde estão os inventores, a produção científica e os investimentos em empresas de tecnologia. Esse recorte revela algo que os rankings nacionais escondem: a inovação não é distribuída uniformemente dentro dos países. Ela se concentra em polos.

No mapa dos 100 maiores clusters de 2026, a China tem 25 representantes. Os Estados Unidos têm 20. A América Latina inteira tem apenas dois: São Paulo (49º) e Cidade do México (82º). E o Brasil tem apenas um, São Paulo.


O que São Paulo faz bem e onde ainda patina

O desempenho de São Paulo no índice tem forças e fraquezas bem documentadas que valem ser entendidas separadamente.

Pontos fortes: São Paulo acumula 955 pedidos de patente nos últimos cinco anos, liderando a região em volume. Tem forte produção científica, com destaque para medicina clínica (13% do total), cirurgia e biologia aplicada. Registra 1.595 rodadas de investimento em startups em cinco anos, o maior número da América Latina. E o Brasil como um todo se destaca globalmente em marcas registradas (8ª posição), pagamentos de propriedade intelectual (13ª) e ativos intangíveis (31ª).

Pontos fracos: Quando os resultados são analisados proporcionalmente à população, São Paulo cai para a 95ª posição no índice de intensidade de inovação. A qualidade institucional do Brasil, que inclui ambiente regulatório, segurança jurídica e eficiência do governo, saiu da 82ª posição em 2020 para a 107ª posição em 2025. É o principal desequilíbrio estrutural que impede o Brasil de avançar mais rápido: capacidade de produzir inovação sem um ambiente institucional que a sustente.


O dado que mais importa para o ecossistema brasileiro em 2026

Entre os indicadores específicos do GII 2026, um merece destaque especial para quem acompanha o ecossistema de inovação brasileiro: o Brasil tem 53 startups de deep science mapeadas, o maior número da América Latina, e esse total cresceu 96% entre 2020 e 2025.

A Hilab, de diagnósticos médicos, com sede em Curitiba, aparece entre as startups de países de renda média com mais patentes no relatório da OMPI. É uma startup do interior do Sul do Brasil sendo reconhecida globalmente por sua capacidade de transformar pesquisa em propriedade intelectual.

Esse dado aponta para uma dinâmica que o GII ainda não captura completamente: a descentralização da inovação brasileira. São Paulo é o único cluster do país no top 100, mas não é o único lugar onde a inovação está acontecendo. O Paraná, com 2.457 startups e crescimento de 39,7% em dois anos, está construindo um ecossistema que vai além da capital.


O próximo salto: mais clusters, não só mais São Paulo

O relatório da OMPI de 2026 é claro sobre o que diferencia países que sobem no ranking consistentemente dos que estagnam: a capacidade de criar múltiplos polos de inovação, não apenas concentrar tudo em uma cidade.

A China tem 25 clusters no top 100 porque distribuiu deliberadamente infraestrutura de pesquisa e inovação por diferentes regiões. Os Estados Unidos têm 20 porque Silicon Valley, Boston, Seattle, Austin e outros polos se desenvolveram de forma complementar, cada um com vocação setorial específica.

Para o Brasil sair de 1 cluster para 5 ou 10 no top 100, a resposta não está em criar novos Silicon Valleys. Está em fortalecer os ecossistemas que estão nascendo com conexão genuína à vocação econômica local.

Campo Mourão, no coração do agronegócio paranaense, é um exemplo concreto dessa lógica. O Ideas Hub, o maior venture builder do Sul do Brasil, construiu em mais de dez anos de trabalho um ecossistema com mais de 43 empresas, mais de 6 milhões de pessoas impactadas e reconhecimento do líder do projeto, Nichollas Marshell, como Embaixador da Inovação do Paraná pela Assembleia Legislativa. É exatamente o tipo de polo regional que, quando multiplicado, coloca mais cidades e regiões brasileiras no mapa global de inovação.

O Diagnóstico de Maturidade em Inovação do Ideas Hub é o ponto de partida para entender onde sua empresa ou ecossistema está nessa jornada e o que precisa ser construído para avançar.