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O Que É Equity: Como a Participação Acionária Funciona e Por Que Todo Founder Precisa Dominar Esse Conceito Antes de Aceitar Qualquer Investimento

O Que É Equity: Como a Participação Acionária Funciona e Por Que Todo Founder Precisa Dominar Esse Conceito Antes de Aceitar Qualquer Investimento

Existe uma decisão que founders tomam frequentemente no início da jornada sem compreender totalmente suas consequências de longo prazo: como distribuir equity. Quantas ações cada sócio recebe, quanto oferecer a investidores, como estruturar o equity de colaboradores estratégicos e o que acontece com a participação de cada um quando uma nova rodada de investimento entra.

Essas decisões parecem abstratas no início. Tornam-se muito concretas quando a empresa está captando uma Série A, quando um sócio precisa ser removido ou quando chega o momento de um IPO ou de uma aquisição.

Este blog existe para garantir que founders e gestores entendam equity com a profundidade necessária para tomar essas decisões de forma consciente.


O que é equity

Equity, em português participação acionária ou patrimônio líquido, é o direito de propriedade sobre uma fração de uma empresa. Quem tem equity é sócio, co-proprietário, detentor de parte do valor que a empresa representa.

Em startups e empresas de tecnologia, equity é a moeda de troca central. É com equity que founders criam sociedades, com equity que captam investimento de venture capital ou de Corporate Venture Capital, com equity que atraem e retêm talentos que topam salários abaixo do mercado em troca de participação no crescimento futuro.

O valor do equity é função direta do valuation da empresa: se a empresa vale R$ 10 milhões e você tem 10% de equity, sua participação vale R$ 1 milhão. Se a empresa chega a R$ 100 milhões, a mesma participação passa a valer R$ 10 milhões. Se a empresa fecha, o equity não vale nada.

 

Cap table: o mapa da propriedade da empresa

Cap table é a abreviação de capitalization table, ou tabela de capitalização em português. É o documento que registra quem são os sócios e detentores de equity de uma empresa, quantas ações cada um tem e qual é o percentual de participação de cada um no total.

Uma cap table simples de uma startup em estágio inicial pode ter apenas dois ou três linhas: os co-fundadores com suas respectivas participações. Uma cap table de uma empresa que já recebeu múltiplas rodadas de investimento pode ter dezenas de linhas, incluindo fundadores, angels, fundos de VC, colaboradores com opções e a empresa se autodetentora de ações para futuras distribuições.

A cap table é um dos documentos mais importantes de qualquer empresa de tecnologia e precisa ser mantida atualizada a cada evento societário relevante: entrada de novo sócio, captação de investimento, exercício de opções, saída de colaborador.

Errors na cap table criam problemas jurídicos sérios e complicam captações futuras. Devido diligence de fundos de venture capital sempre inclui uma análise cuidadosa da cap table.


Diluição: o que acontece com sua participação quando a empresa capta

Quando uma empresa capta um investimento emitindo novas ações para o investidor, a participação percentual de todos os sócios anteriores diminui. Esse processo se chama diluição.

Um exemplo simples ilustra o mecanismo. Dois fundadores têm 50% cada em uma empresa. A empresa emite 20% de novas ações para um investidor que aporta capital. Após a emissão, cada fundador agora tem 40% e o investidor tem 20%, totalizando 100%.

Os fundadores foram diluídos de 50% para 40% cada. Mas o que importa não é o percentual. É o valor absoluto. Se antes da captação a empresa valia R$ 5 milhões e os 50% de cada fundador valiam R$ 2,5 milhões, e após a captação a empresa vale R$ 10 milhões, os 40% de cada fundador agora valem R$ 4 milhões. A diluição em percentual foi acompanhada de um aumento em valor absoluto.

Esse é o fundamento da lógica de captação em startups: aceitar diluição em percentual para ampliar o valor total do bolo, de forma que uma fatia menor de um bolo maior valha mais do que uma fatia maior de um bolo pequeno.


Vesting: como o equity é conquistado ao longo do tempo

Vesting é o mecanismo pelo qual o equity é liberado gradualmente ao longo do tempo, em vez de ser entregue integralmente de uma vez. É uma das práticas mais importantes na estruturação de equity de fundadores e colaboradores.

Por que o vesting existe? Para proteger a empresa e os outros sócios de situações onde um co-fundador ou colaborador recebe equity e sai da empresa logo depois, levando sua participação sem ter contribuído com o trabalho esperado.

O formato mais comum de vesting para fundadores em startups é o cliff de um ano seguido de vesting linear por quatro anos. Isso significa que nos primeiros 12 meses, nenhum equity é liberado. Ao completar 12 meses, 25% do equity total é liberado de uma vez. Nos 36 meses seguintes, o restante é liberado mensalmente, em partes iguais.

Se um fundador com esse acordo sair da empresa após 6 meses, ele não leva nenhum equity. Se sair após 18 meses, leva os 25% do cliff mais 6 meses de vesting linear, totalizando algo em torno de 37,5% do equity que teria ao completar o ciclo.

Para colaboradores estratégicos que recebem stock options, o mecanismo de vesting funciona de forma similar, mas com algumas particularidades fiscais que o Marco Legal das Startups esclareceu para o contexto brasileiro.


Options pool: o equity reservado para o time

Options pool, ou pool de opções, é uma reserva de equity criada especificamente para distribuição a futuros colaboradores. É uma prática padrão em startups que planejam usar equity como ferramenta de atração e retenção de talentos.

O options pool é criado antes de uma rodada de investimento, porque isso protege os investidores da diluição que ocorreria se as opções fossem emitidas depois. Na prática, isso significa que os fundadores são os que se diluem para criar o pool, não os investidores.

O tamanho do options pool varia conforme o estágio e o perfil da empresa. Para startups em estágio seed, 10% a 15% do total de ações é comum. Para empresas em Série A que precisam contratar lideranças executivas, o pool pode ser maior.


O que founders precisam saber antes de assinar qualquer acordo de equity

Algumas decisões de equity que parecem pequenas no início têm consequências enormes à frente.

Distribuição de equity entre co-fundadores. Dividir equity igualmente entre co-fundadores é prático e parece justo. Mas se as contribuições forem desiguais ao longo do tempo, um fundador com muito equity e pouco envolvimento pode ser um problema sério para captações futuras e para a operação. A conversa difícil sobre equity deve acontecer antes de formalizar a sociedade, não depois.

Anti-diluição. Algumas cláusulas em term sheets de investidores garantem proteção contra diluição em rodadas futuras com valuation menor. Essas cláusulas protegem os investidores, mas podem ser muito custosas para os fundadores. Entender o que está sendo assinado é fundamental.

Liquidation preference. A preferência de liquidação define quem recebe quanto no caso de venda ou encerramento da empresa. Um investidor com 1x liquidation preference tem direito de receber o valor investido antes que os fundadores recebam qualquer coisa. Múltiplos mais altos ampliam esse efeito.

No Ideas Hub, o maior venture builder do Sul do Brasil com sede em Campo Mourão, o modelo de venture builder envolve participação acionária estruturada desde o início, com clareza sobre os direitos e obrigações de cada parte. Essa transparência é o que torna a relação de cofundação sustentável no longo prazo.

O Diagnóstico de Maturidade em Inovação do Ideas Hub é o ponto de partida para entender em que estágio o negócio está e como estruturar da forma certa os aspectos societários e de captação.