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Open Data: Por Que a McKinsey Calcula Que Dados Abertos Podem Adicionar 10% ao PIB Brasileiro e o Que Isso Significa Para Startups e Empresas Inovadorasses and systems that create a data-driven culture.

Open Data: Por Que a McKinsey Calcula Que Dados Abertos Podem Adicionar 10% ao PIB Brasileiro e o Que Isso Significa Para Startups e Empresas Inovadorasses and systems that create a data-driven culture.

Em um artigo sobre o novo ritmo da inovação em fintechs publicado pelo TI Inside em maio de 2026, um dado da McKinsey aparece de passagem mas merece atenção muito maior do que recebeu: estudos indicam que Open Data pode aumentar em até 10% o PIB brasileiro.

Dez por cento do PIB do Brasil. Para ter a dimensão: o PIB brasileiro está em torno de R$ 10 trilhões. Dez por cento disso é R$ 1 trilhão de valor econômico que poderia ser criado pela abertura estruturada de dados que já existem, mas que estão presos em silos de governo, de empresas financeiras, de operadoras de saúde e de produtores rurais.

Esse número não é fantasia. É a estimativa do potencial ainda não capturado de uma infraestrutura de dados que o Brasil está construindo lentamente mas de forma consistente.


O que é Open Data

Open Data, ou Dados Abertos, é a prática de disponibilizar conjuntos de dados de forma que qualquer pessoa possa acessar, usar e redistribuir livremente, sem restrições de copyright, patentes ou outros mecanismos de controle.

O conceito tem duas dimensões que precisam ser entendidas separadamente.

Dados abertos governamentais são informações produzidas por órgãos públicos com recursos públicos que são disponibilizadas gratuitamente para qualquer cidadão ou empresa usar. Dados do IBGE sobre população e renda, informações do INMET sobre clima, dados do TSE sobre eleições, registros de saúde do DATASUS, informações de propriedade rural do INCRA. Esses dados já existem em grande parte, mas muitos ainda não estão organizados, documentados e acessíveis em formatos que permitem uso prático por desenvolvedores e analistas.

Open Finance e setorial é a extensão do conceito para dados de empresas privadas em setores regulados, com o consentimento do titular dos dados. O Open Finance brasileiro é o exemplo mais desenvolvido: com autorização do cliente, qualquer instituição participante pode acessar o histórico financeiro completo desse cliente em outras instituições, criando análises de crédito muito mais precisas e produtos financeiros muito mais personalizados.


O Open Finance brasileiro como modelo de referência global

O Brasil é hoje uma referência global em Open Finance. O sistema iniciado pelo Banco Central em 2021 chegou a outubro de 2026 com mais de 100 milhões de consentimentos ativos, conectando centenas de instituições financeiras e criando um mercado de crédito e serviços financeiros completamente diferente do que existia antes.

O impacto documentado é concreto. Clientes que compartilham seus dados via Open Finance conseguem crédito que bancos tradicionais recusariam, com taxas mais adequadas ao seu risco real. Plataformas de gestão financeira agregam dados de múltiplas contas em uma visão única sem que o usuário precise fazer login em diferentes sistemas. Fintechs constroem produtos de análise que antes eram privilégio de grandes bancos com anos de histórico de cliente.

A McKinsey calcula que 1% de melhoria na precificação gera 8% de aumento no lucro. Quando Open Finance permite que uma fintech precifique crédito com muito mais precisão do que um banco tradicional conseguia, o impacto financeiro dessa diferença de precificação é enorme e multiplicado por milhões de transações.


Os outros Open Datas que estão chegando

O Open Finance foi o primeiro e o mais avançado. Mas o modelo está se expandindo para outros setores com potencial igualmente transformador.

Open Health. O acesso estruturado e com consentimento a dados de saúde de pacientes entre diferentes prestadores de serviços de saúde. Uma plataforma de HealthTech que tem acesso ao histórico clínico completo do paciente, com consentimento, pode oferecer diagnósticos e recomendações muito mais precisas do que qualquer sistema que vê apenas o histórico de um único hospital.

Open Agro. Dados de solo, clima, produção e insumos compartilhados entre produtores, indústrias e plataformas de tecnologia agrícola com consentimento. Para o agronegócio paranaense, o Open Agro pode ser tão transformador quanto o Open Finance foi para o mercado de crédito: quem tem os melhores dados de cada lavoura vai oferecer as melhores recomendações de plantio, defensivos e comercialização.

Dados Públicos Governamentais Estruturados. A iniciativa de governo aberto que está tornando acessíveis dados de infraestrutura urbana, mobilidade, saúde pública e economia que podem alimentar soluções de smart city, gestão pública e desenvolvimento econômico regional.


O que Open Data significa para startups e empresas inovadoras

Para uma startup, Open Data é infraestrutura de produto. É o que permite construir soluções que antes exigiriam anos de coleta de dados proprietários ou contratos difíceis de negociar com grandes instituições.

Uma startup de crédito agrícola que consegue combinar dados de Open Finance com dados de Open Agro tem uma capacidade de análise de risco que nenhum banco tradicional consegue replicar rapidamente. Uma plataforma de saúde que combina histórico clínico via Open Health com dados epidemiológicos públicos pode fazer diagnósticos populacionais que informam políticas públicas e produtos de saúde preventiva.

Mas existem três desafios que precisam ser superados para que o potencial seja capturado.

Qualidade e padronização. Dados abertos de baixa qualidade, com formatos inconsistentes, documentação inexistente e atualizações irregulares, são difíceis de usar e criam custos de limpeza e normalização que podem inviabilizar produtos. O investimento em qualidade de dados públicos é pré-condição para o retorno econômico que a McKinsey projeta.

LGPD e privacidade. Open Data que envolve dados pessoais precisa de mecanismos robustos de consentimento, anonimização e limitação de uso. Construir sobre Open Data sem atenção à privacidade cria riscos regulatórios que podem inviabilizar o produto.

Infraestrutura técnica para acessar e processar. Dados abertos em portais governamentais são frequentemente difíceis de acessar por questões técnicas: arquivos em formatos desatualizados, APIs instáveis, documentação inadequada. Construir a camada de acesso e normalização é trabalho técnico relevante que precisa ser planejado como parte do desenvolvimento do produto.


A oportunidade específica para o ecossistema paranaense

Para startups e empresas do ecossistema de inovação paranaense, Open Data tem uma dimensão especialmente relevante: o Paraná é um dos estados com mais dados agrícolas, industriais e demográficos disponíveis, e a combinação de Open Agro com a base produtiva da região cria oportunidades de produto que não existem com a mesma força em outros estados.

Uma plataforma de inteligência agrícola construída sobre dados públicos do IBGE, do INCRA, do INMET e futuramente do Open Agro, combinada com dados proprietários de sensores no campo, pode criar um produto com vantagem competitiva estrutural para produtores da região de Campo Mourão que nenhuma plataforma desenvolvida em São Paulo vai replicar rapidamente sem entender o contexto local.

O Maior venture builder do Sul do Brasil, o Ideas Hub em Campo Mourão, como ICT credenciada e plataforma de inovação, acompanha o desenvolvimento da infraestrutura de dados abertos no Brasil porque ela define as oportunidades de P&D mais relevantes para o ecossistema paranaense nos próximos anos.

O Diagnóstico de Maturidade em Inovação do Ideas Hub é o ponto de partida para entender em que estágio o negócio está e quais oportunidades de dados e inovação fazem sentido para o seu momento.