
Toda virada de ano, consultorias, institutos de pesquisa e think tanks publicam suas listas de tendências. A maioria fala sobre o que está chegando. Poucas falam sobre o que os líderes de negócios realmente estão colocando no topo da sua agenda e por quê.
Em 2026, pela primeira vez em muitos anos, há um grau incomum de convergência entre o que o Gartner, a McKinsey e o mercado brasileiro apontam como prioridade para CEOs e líderes de negócios. Essa convergência não é coincidência. É sinal de que certas decisões não podem mais ser adiadas.
Este blog reúne as sete prioridades que estão dominando a agenda executiva em 2026, com o que cada uma significa na prática e o que os líderes que estão na frente já estão fazendo diferente.
1. Transformar IA em resultado operacional real, não em projeto piloto
A prioridade número um na agenda dos CEOs globais em 2026 é resolver o problema do ROI da inteligência artificial.
A pesquisa do Gartner com CEOs revela um dado que resume o desafio: 80% dos líderes acreditam que a IA vai forçar a reformulação das capacidades operacionais das suas empresas. Mas apenas 44% sentem que seus boards têm o conhecimento prático necessário para liderar essa transformação. Essa distância entre crença e capacidade é onde a maioria dos projetos de IA trava.
A McKinsey vai mais fundo ao mostrar que o sucesso com IA em 2026 segue a regra 80/20: 20% é tecnologia e 80% é transformação de processos e pessoas. CEOs que tratam IA como projeto de TI continuam acumulando investimentos sem retorno. CEOs que tratam IA como reestruturação operacional são os que começam a capturar os ganhos de produtividade de 20% a 30% que a McKinsey documenta em empresas que escalam a tecnologia de forma estruturada.
A prioridade concreta: parar de adicionar ferramentas e começar a redesenhar processos. O que precisa mudar na operação para que a IA entregue valor? Essa é a pergunta certa para 2026.
2. Construir governança antes que o risco chegue ao board
A segunda prioridade está diretamente ligada à primeira. À medida que a IA se expande nas operações, o risco de decisões automatizadas sem controle se torna uma questão de governança corporativa, não apenas de TI.
O Gartner projeta que 40% dos projetos de IA em andamento serão cancelados até 2027 por falta de controle operacional. Ao mesmo tempo, o Marco Legal da IA está em tramitação final no Brasil, com multas de até R$ 50 milhões por infração para empresas que operarem sistemas de IA sem as salvaguardas exigidas.
CEOs que esperaram para estruturar governança de IA estão descobrindo que o custo de adequação reativa é muito maior do que o custo de estruturação preventiva. A janela para fazer isso antes que o regulador exija está se fechando.
A prioridade concreta: ter clareza sobre quais sistemas de IA estão em operação, quem responde por cada um deles e qual é o processo de auditoria quando algo dá errado.
3. Redefinir o papel da liderança em um mundo de automação
A McKinsey descreve uma transição que está acontecendo nos C-levels de empresas líderes: de Human-in-the-loop, onde o humano é um passo no processo, para Human-in-the-lead, onde o humano define a direção e os agentes autônomos executam.
Isso muda o perfil do que um CEO, CIO ou COO precisa saber e fazer. Com habilidades técnicas se tornando obsoletas em ciclos de menos de seis meses, o Gartner aponta que a criação de uma cultura de aprendizado contínuo passou a ser responsabilidade direta da liderança, não do RH.
CEOs que estão na frente estão redesenhando funções dentro das suas organizações com uma pergunta central: o que a IA não consegue replicar? Julgamento ético, empatia, visão estratégica de longo prazo e gestão de relações complexas são as respostas que aparecem de forma consistente. Essas são as competências que os líderes precisam desenvolver e proteger nas suas equipes.
A prioridade concreta: revisar a estrutura de times com o olhar de quais funções serão amplificadas pela IA e quais serão substituídas. E liderar essa conversa de forma transparente antes que ela chegue por pressão externa.
4. Crescer com inovação estruturada, não com iniciativas isoladas
Setenta e três por cento das grandes empresas brasileiras já têm programas de inovação aberta com orçamento recorrente, segundo dados de 2026. A inovação deixou de ser diferencial para se tornar infraestrutura. E CEOs de médias empresas estão percebendo que a janela para entrar nesse movimento antes dos concorrentes está se fechando.
O desafio que os líderes enfrentam não é falta de ideias. É falta de método para transformar ideias em resultado de forma consistente. Segundo a McKinsey, empresas que medem e gerenciam sua maturidade em inovação de forma estruturada crescem até 2,4 vezes mais rápido do que concorrentes que inovam de forma ad hoc.
A diferença entre os que crescem e os que ficam parados não está no orçamento de inovação. Está na existência de um processo claro de priorização, execução e medição de iniciativas inovadoras.
A prioridade concreta: estruturar inovação como um processo de negócio com responsável, orçamento, métricas e ciclo de revisão, e não como um evento anual de brainstorming.
5. Usar tecnologia para escalar sem aumentar custo proporcional
Um dos maiores desafios dos CEOs de médias empresas em 2026 é crescer a receita sem crescer o custo na mesma proporção. E é exatamente aqui que RPA, automação inteligente e ferramentas low-code estão entregando resultado concreto para empresas que até pouco tempo atrás não tinham acesso a esse tipo de tecnologia.
O Gartner estima que o mercado de hiperautomação está em US$ 596 bilhões globalmente, e o Brasil lidera a maturidade em automação inteligente na América Latina. Empresas que automatizam processos com RPA registram ROI até quatro vezes maior do que as que operam sem automação, segundo o Grupo Everest.
Para o CEO de uma empresa em crescimento, a pergunta prática é: quais processos consomem mais horas da minha equipe sem gerar valor diferenciado? Esses são os candidatos prioritários para automação em 2026.
A prioridade concreta: mapear os três processos mais repetitivos e custosos da operação e definir um piloto de automação com meta de ROI clara antes do final do ano.
6. Transformar dados em vantagem competitiva real
A McKinsey é categórica na sua Agenda Global de Tecnologia 2026: CIOs e líderes de tecnologia nas empresas de melhor desempenho não estão gerenciando tecnologia. Estão construindo organizações orientadas por inteligência. A diferença central entre essas empresas e as demais é o que fazem com seus dados.
Empresas que usam dados para tomar decisões comerciais, operacionais e estratégicas crescem mais rápido e cometem menos erros do que as que operam por intuição ou por experiência histórica. Mas o dado em si não é o diferencial. O diferencial é a capacidade de transformar dado em decisão de forma rápida e consistente.
Para a maioria das empresas brasileiras, o problema não é falta de dados. É falta de estrutura para acessar, interpretar e agir com base nesses dados em tempo operacional. A governança de dados que sustenta o uso de IA é a mesma que transforma dados em vantagem competitiva.
A prioridade concreta: identificar quais decisões de negócio a empresa toma hoje por percepção e que poderiam ser informadas por dados disponíveis. Começar por uma. Construir o hábito.
7. Acessar incentivos e estruturas que reduzem o risco de inovar
Uma prioridade que ainda está fora do radar de muitos CEOs de médias empresas no Brasil: usar os instrumentos disponíveis para inovar com menos risco financeiro.
A Lei do Bem permitiu que mais de 4.200 empresas brasileiras recuperassem até 34% dos seus investimentos em P&D via redução tributária em 2024, mobilizando R$ 51,6 bilhões em projetos de inovação. A maioria das empresas elegíveis ainda não usa esse benefício.
Ao mesmo tempo, modelos como o venture builder permitem que empresas inovem com capital, estrutura e expertise compartilhados, reduzindo significativamente o risco de desenvolver novos produtos e negócios sozinhas. E a inovação aberta com startups permite acessar tecnologias emergentes sem precisar desenvolver tudo internamente.
CEOs que entendem o ecossistema de inovação disponível para eles tomam decisões de investimento em tecnologia com muito mais eficiência do que os que operam isolados.
A prioridade concreta: fazer um mapeamento dos instrumentos de incentivo à inovação disponíveis para a empresa e do ecossistema de parceiros que podem reduzir o risco e o custo de inovar.
O que separa quem age de quem observa
Essas sete prioridades têm algo em comum: todas exigem que o CEO tome uma decisão ativa. Não de tecnologia, mas de postura.
A pesquisa do Gartner é clara: o cenário de 2026 é um ponto de ruptura. Organizações que entram nesse ciclo sem disposição para experimentar, aprender e ajustar enfrentarão um gap competitivo difícil de recuperar. E o gap não se forma de uma vez. Ele se forma mês a mês, decisão a decisão, enquanto uns avançam e outros esperam o momento certo.
O primeiro passo para qualquer uma dessas prioridades é o mesmo: saber onde a empresa está hoje. Sem esse diagnóstico, é impossível saber por qual das sete começar, qual é mais urgente e qual tem mais potencial de retorno para o estágio atual do negócio.
O Diagnóstico de Maturidade em Inovação do Ideas Hub foi desenvolvido para entregar exatamente essa clareza. Em poucos minutos, líderes têm uma leitura precisa do estágio atual da organização e um caminho concreto para avançar com método e sem desperdício de recursos.

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