
Em maio de 2026, o Gartner publicou os resultados de uma pesquisa com 350 executivos globais de empresas com receita anual mínima de US$ 1 bilhão, todas elas testando ou implementando capacidades de negócios autônomos com agentes de IA, automação inteligente, gêmeos digitais e tecnologias similares.
O dado principal é direto: aproximadamente 80% dessas organizações relataram ter realizado reduções na força de trabalho como parte da adoção de automação e IA.
O dado que ninguém esperava vem logo depois: essas reduções não se traduziram em maior retorno sobre o investimento. As taxas de corte de pessoal foram praticamente iguais entre as empresas que relataram alto ROI com IA e as que obtiveram ganhos modestos ou resultados negativos.
Helen Poitevin, Vice-Presidente Analista Emérita do Gartner, resumiu a conclusão com uma frase que merece atenção de todo líder que está pensando em automatizar para reduzir headcount: "Reduções na força de trabalho podem liberar orçamento, mas não geram retorno."
Por que cortar pessoas para pagar IA é a estratégia errada
A lógica que leva CEOs a esse caminho parece razoável na superfície. IA automatiza tarefas. Tarefas automatizadas não precisam de pessoas para executá-las. Menos pessoas significam menos custo. Menos custo significa ROI da IA.
O problema é que essa lógica ignora o que realmente determina o retorno de investimentos em automação e inteligência artificial.
Segundo o Gartner, as organizações que melhoram o ROI não são as que eliminam a necessidade de pessoas. São as que as amplificam, investindo agressivamente em competências, funções e modelos operacionais que permitem aos humanos orientar e escalar sistemas autônomos.
A diferença entre as empresas com alto ROI e as com ROI baixo ou negativo não estava no quanto cortaram de headcount. Estava em como redesenharam o trabalho humano ao redor das novas capacidades tecnológicas.
O fenômeno dos AI Boomerangs
Pesquisa da Robert Half identificou que 29% das empresas que demitiram trabalhadores após implementar IA já recontrataram pessoas para funções similares. Esse movimento ganhou um nome no mercado: "AI boomerangs". Empresas que demitem por causa da IA e precisam contratar de volta porque descobriram que a operação não funciona sem o elemento humano que faltou.
O Gartner vai além nessa projeção: até 2027, metade das empresas que atribuíram reduções de equipe à IA em áreas de atendimento deverá recontratar profissionais para funções semelhantes, ainda que com novos títulos.
Por que isso acontece? Porque a IA autônoma não opera no vácuo. Ela precisa de pessoas que a treinem, que a supervisionem, que interpretem seus outputs, que corrijam seus erros e que conectem suas capacidades à realidade específica do negócio. Quando essas pessoas são demitidas para "pagar" a IA, a IA não entrega.
O que as empresas com ROI positivo fazem diferente
As empresas que aparecem com retornos reais nos dados do Gartner seguem um padrão consistente.
Elas redirecionam pessoas em vez de eliminá-las. Requalificam equipes para trabalhar junto com IA, redesenham funções em torno do que humano e modelo fazem bem separadamente, e constroem operações onde pessoas supervisionam sistemas autônomos em vez de serem substituídas por eles.
Elas criam funções novas que a IA demanda. À medida que a IA entra na operação, surgem demandas crescentes por curadoria de dados, governança de IA, revisão de outputs, integração entre sistemas, gestão de performance e melhoria contínua. Empresas que investem nessas funções colhem o retorno. Empresas que as ignoram têm sistemas de IA operando sem controle adequado.
Elas tratam automação como ampliação, não como substituição. O Gartner cunhou o conceito de "negócios amplificados por humanos" para descrever esse modelo: não negócios sem humanos, mas negócios onde tanto máquinas quanto pessoas têm mais autonomia dentro de papéis bem definidos.
O dado que coloca tudo em perspectiva
O Gartner projeta que os gastos com software de agentes de IA vão de US$ 86,4 bilhões em 2025 para US$ 206,5 bilhões em 2026 e US$ 376,3 bilhões em 2027.
É um crescimento de mais de quatro vezes em dois anos. Isso significa que a tecnologia está melhorando e barateando em ritmo acelerado.
Empresas que cortaram pessoas agora para pagar IA mais cara do que vai ser daqui a dois anos vão precisar recontratar profissionais em escassez, contra concorrentes que não cortaram, e vão pagar por esse erro duplamente.
O que isso significa para o Brasil
No Brasil, 100% das empresas entrevistadas no KPMG Global Tech Report 2026 afirmam ter implementado automação e IA, incluindo IA agêntica. Ao mesmo tempo, 45% dos executivos brasileiros afirmam que há múltiplos projetos operando de maneira desconectada, sem integração.
Esse dado sugere que muitas empresas brasileiras estão na fase de adoção acelerada sem ainda ter a estrutura para extrair o valor real dessa adoção. O risco de cortar pessoas para financiar essa adoção e não ter o retorno esperado é, portanto, especialmente real no contexto nacional.
O Maior venture builder do Sul do Brasil, o Ideas Hub em Campo Mourão, como ICT credenciada e plataforma de inovação, aborda a automação com a lógica que o Gartner confirma: amplificação das capacidades humanas, não substituição. Projetos de P&D desenvolvidos no ecossistema do Ideas Hub com os benefícios da Lei do Bem partem sempre da pergunta certa: como a tecnologia pode ampliar o que as pessoas fazem, não como pode substituí-las.
O Diagnóstico de Maturidade em Inovação do Ideas Hub ajuda empresas a entender em que estágio estão na jornada de automação e qual abordagem gera resultado real.

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