
O Brasil aplicou R$ 166,4 bilhões em pesquisa e desenvolvimento em 2024. Um crescimento de 18% em relação a 2021 e o maior volume registrado nos últimos dez anos, segundo dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação durante o lançamento do Tecnova 2026.
Só que o dado que mais chama atenção não é esse. É o fato de que em 2026 o governo federal tomou uma série de decisões consecutivas para ampliar dramaticamente o acesso de empresas a recursos públicos para inovar: injetou R$ 3,5 bilhões no capital da FINEP, lançou o Tecnova com R$ 360 milhões para pequenas empresas, expandiu o BNDES Mais Inovação para R$ 12 bilhões e abriu R$ 3,3 bilhões em subvenção econômica com 13 editais simultâneos.
Some tudo isso e você chega a um volume superior a R$ 15 bilhões em recursos públicos disponíveis para inovação no Brasil em 2026. Em um único ano.
E a maioria das empresas elegíveis ainda não sabe que pode acessar esses recursos.
O que aconteceu com a FINEP em 2026
A FINEP, Financiadora de Estudos e Projetos, é o principal instrumento do governo federal para financiar inovação no Brasil. Em 2026, ela passou por uma transformação relevante.
O governo federal autorizou uma injeção de R$ 3,5 bilhões no capital social da FINEP por meio da transferência de ações excedentes do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia. A medida amplia significativamente a capacidade da instituição de financiar projetos de inovação sem gerar impacto nas metas fiscais.
O resultado prático foi imediato. Na Rodada 2 dos editais do programa Mais Inovação, lançada em junho de 2026, a demanda superou em 172% o orçamento disponível: R$ 3,96 bilhões solicitados contra R$ 2,29 bilhões ofertados. Esse número diz tudo. O setor produtivo brasileiro está sedento por recursos de inovação. O problema não é falta de interesse, é falta de estrutura para acessar os editais de forma competitiva.
O Tecnova e a janela que está se fechando
A iniciativa mais urgente neste momento é o Programa Tecnova 2026/2027, lançado em 16 de junho pelo MCTI e pela FINEP. São R$ 360 milhões para pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 16 milhões desenvolverem produtos, serviços e processos inovadores.
É a quarta edição do programa, e a maior de todas. Pela primeira vez, contempla todas as 27 unidades da federação. Considerando as contrapartidas estaduais, o volume total pode chegar a R$ 588 milhões. A meta é contratar até 713 empresas em todo o Brasil.
O prazo para envio de propostas é 3 de agosto de 2026. Há menos de um mês.
Para empresas de pequeno porte que têm projetos com potencial inovador, esse é um dos instrumentos mais acessíveis do ecossistema de fomento brasileiro. Não exige porte mínimo significativo, contempla regiões que historicamente ficavam de fora dos editais federais e oferece até 60 meses para execução dos projetos aprovados.
O BNDES e a expansão do crédito para inovação
O BNDES expandiu o orçamento do programa Mais Inovação para R$ 12 bilhões e ampliou os setores financiáveis, aprovando também condições mais vantajosas de crédito. A medida facilita o acesso a financiamentos para o setor produtivo por meio da rede de agentes financeiros credenciados do banco.
A diferença entre os recursos do BNDES e os da FINEP é importante de entender. Os recursos da FINEP incluem tanto modalidades reembolsáveis quanto subvenção econômica, que é dinheiro não reembolsável. O BNDES trabalha predominantemente com crédito, ou seja, recursos que precisam ser devolvidos, mas com condições favoráveis de prazo, carência e taxa.
Para uma empresa que quer inovar, a combinação ideal é usar subvenção da FINEP para cobrir os custos de pesquisa e desenvolvimento, e crédito do BNDES para financiar os investimentos necessários para escalar o resultado.
A Lei do Bem sob ameaça, e o que isso significa
Enquanto novos recursos estão sendo disponibilizados, um dos instrumentos mais consolidados do ecossistema de inovação brasileiro enfrenta uma ameaça silenciosa.
A ANPEI emitiu nota de alerta sobre o PLP 6/2026, que pode reduzir os benefícios da Lei do Bem ao incluí-la em um corte linear de benefícios fiscais. O problema: a Lei do Bem é justamente o incentivo fiscal com melhor relação retorno-renúncia de todo o sistema tributário brasileiro.
Os dados do MCTI confirmam isso. A renúncia fiscal estimada pela Lei do Bem foi de R$ 12 bilhões em 2024. O investimento privado em P&D que ela alavancou foi de R$ 51,6 bilhões. Cada real de renúncia gerou 4,3 reais em investimento privado em inovação.
Reduzir esse benefício, neste momento, seria um contrassenso de política pública. Mas o risco existe, e empresas que ainda não regularizaram sua situação junto ao MCTI e à Receita Federal estão mais expostas do que deveriam.
O papel das ICTs nesse ecossistema
Aqui está o ponto que conecta diretamente tudo que foi descrito acima com o que o Ideas Hub faz como ICT.
As Instituições Científicas e Tecnológicas, ou ICTs, são organizações credenciadas pelo MCTI para atuar como parceiras de empresas em projetos de P&D. Quando uma empresa realiza um projeto de inovação em parceria com uma ICT credenciada, ela amplia o escopo dos benefícios que pode acessar, melhora a elegibilidade do projeto para editais competitivos e garante a estrutura técnica e documental necessária para comprovação junto ao fisco.
O Artigo 19-A da Lei do Bem, por exemplo, prevê exclusões de até duas vezes e meia o valor investido em P&D realizado por ICTs credenciadas. Isso significa que, além da dedução padrão da Lei do Bem, empresas que fazem P&D com ICTs acessam um benefício fiscal adicional e mais robusto.
O Ideas Hub, como o maior venture builder do Sul do Brasil e ICT credenciada pelo MCTI com sede em Campo Mourão, opera exatamente nessa interseção. Empresas parceiras do ecossistema do Ideas Hub podem desenvolver projetos de inovação com o suporte técnico da ICT e acessar os incentivos fiscais da Lei do Bem de forma estruturada, com toda a documentação necessária para aprovação junto ao MCTI.
O Brasil ainda investe pouco, mas está mudando de patamar
Apesar do crescimento expressivo, o Brasil ainda aplica apenas 1,23% do PIB em P&D. Para comparar: Israel investe 6,76%, Coreia do Sul 5,13%, Japão 3,62%, Estados Unidos 3,44% e Alemanha 3,13%.
Esse gap é ao mesmo tempo um problema e uma oportunidade. Problema porque reflete anos de subinvestimento em pesquisa aplicada e em conexão entre universidade e indústria. Oportunidade porque significa que o espaço para crescimento é enorme, e as condições para acelerar esse crescimento estão sendo criadas agora.
Empresas que estruturarem seus projetos de P&D e acessarem os instrumentos disponíveis em 2026 vão construir uma vantagem competitiva real. Não apenas tecnológica, mas financeira: inovar com incentivos fiscais e subvenção custa menos do que inovar sem eles.
O Diagnóstico de Maturidade em Inovação do Ideas Hub foi desenvolvido para ajudar empresas a entender em que estágio estão e quais instrumentos de fomento fazem sentido para o seu momento. Em poucos minutos, você tem uma leitura clara do que está ao seu alcance.

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